
Como não associar Phèdre a fogo?
“Phèdre”- (Pronuncia:Fedra)- Uma das tragédias gregas mais comoventes, recentemente encenada, em estética sublime, pela companhia inglesa National Theatre, com Helen Mirren no papel título.


A passional trama de Jean Racine se desenrola ao longo de 5 atos, e culmina com num grand-finalle dramático. Consumida por uma avassaladora e imoral paixão por seu enteado, Hypolitus, Phèdre tira sua própria vida na corda. Ao mesmo tempo, monta uma grave incriminação contra o objeto amado. E assim, termina por levá-lo, também, de encontro ao seu fim.
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Imponente, obscena, chocante e insandecida, Phèdre arde em paixão. Phèdre queima como fogueiras pagãs iluminando, junto com redondas lanternas de abóbora, as encostas das florestas temperadas em solstícios da antiguidade – figuras e vultos dançando num Samnhain esquecido, na celebração céltica da dicotomia luz/escuridão.
Phèdre também oscilando nesta dicotomia. Phèdre queima, oscila e dança.
Direita: Terrauh Barret, 2010, www.artbgterrauh.com
Foi impulsionada por todo este imaginário que concebi a natureza artística e identidade visual desta coleção.
As cores que escolhi para os vestido – vermelho, carmin e azul – imediatamente remetem minha mente a terra e labaredas. O design das saias balonês foi escolhido por me fazer pensar em fogueiras; fartas na parte de baixo, e se esvaindo em chamas escaldantes e minguadas na parte superior. De modo semelhante, o balonê tambem me remete às lanternas feitas de abóbora típicas das celebrações de Samhain.
Esquerda: S. McKivergan, 2005